Quanto custa alugar no Brasil: 30 cidades medidas

Maksym Panchenko

Resposta curta, medida e não estimada: o aluguel mediano anunciado no Brasil é R$ 3.950 (≈ US$ 778) por mês, e metade dos anúncios ativos fica entre R$ 2.500 (≈ US$ 492) e R$ 7.500 (≈ US$ 1.477). Mediano é o valor do meio: enfileirando todos os anúncios do mais barato ao mais caro, metade pede menos do que isso e metade pede mais — não é a mesma coisa que a média. Esse número sozinho resume 1.786.348 anúncios de um país inteiro — e é justamente por resumir tanta coisa de uma vez que ele quase não ajuda quem está procurando. O resto desta página abre esse número: cidade por cidade, bairro por bairro em São Paulo, por número de quartos e pelo que entra na conta depois da assinatura.

E o aluguel do anúncio não é a conta do mês. Além do aluguel vêm o condomínio, que é a taxa mensal do prédio, e o IPTU, o imposto anual que a prefeitura cobra sobre o imóvel. Os dois são cobrados por fora do valor que aparece em destaque no anúncio, às vezes informados ali mesmo e às vezes só quando você pergunta. Em São Paulo, um apartamento bem no meio da faixa de preços da cidade, R$ 4.490 (≈ US$ 884), costuma vir com R$ 1.200 (≈ US$ 236) de condomínio e R$ 335 (≈ US$ 66) de IPTU por cima. Daí a pergunta que muda a sua conta antes de qualquer visita: quando dois apartamentos parecem custar o mesmo, pergunte primeiro pelo condomínio, não pelo aluguel.

O RemRent, que está construindo uma busca única por cima de seis portais do país, ainda não abriu: nada aqui é um imóvel para fechar hoje, é uma leitura do mercado. Todos os números saem do retrato de um único dia, 2 de agosto de 2026, e o método inteiro está no fim da página.

Esta cifra abrange todos os anúncios de aluguel ativos do retrato congelado, em qualquer ponto do Brasil, incluindo lugares para os quais o RemRent não publica página e anúncios cuja localização não foi identificada.

Há um segundo número nacional aqui, e ele é diferente de propósito. Nas trinta cidades para as quais o RemRent publica página de preços, o aluguel mediano anunciado é R$ 4.200 (≈ US$ 827). É nessas trinta cidades que se concentram a procura e a oferta mais cara.

Esta cifra abrange apenas os anúncios das cidades para as quais o RemRent publica página, por isso fica acima da leitura do país inteiro e descreve o mercado que este site de fato mapeia.

Nenhum dos dois é o aluguel brasileiro, e trocar um pelo outro é a maneira mais fácil de errar sem perceber. O primeiro responde "quanto pede um anúncio de aluguel no Brasil?"; o segundo, "quanto pede um anúncio nas cidades para onde as pessoas de fato se mudam?". É por isso que os dois estão aqui, cada um com a sua explicação.

Percorra a tabela abaixo e o país deixa de se comportar como um mercado só. A cidade mais barata que medimos é Fortaleza, a R$ 1.800 (≈ US$ 355). A mais cara é Balneário Camboriú, a R$ 8.100 (≈ US$ 1.595) — uma cidade de praia em Santa Catarina, não uma capital. Cada linha leva à página da própria cidade, onde os mesmos valores aparecem separados por quartos e por tipo de imóvel.

Aluguel mediano, cidade a cidade

#LugarMedianaAnúncios
1FortalezaR$ 1.800 (≈ US$ 355)8.391
2São VicenteR$ 2.700 (≈ US$ 532)2.083
3NatalR$ 2.900 (≈ US$ 571)3.702
4CuritibaR$ 2.950 (≈ US$ 581)18.628
5BrasíliaR$ 3.000 (≈ US$ 591)7.017
6Cabo FrioR$ 3.000 (≈ US$ 591)2.160
7Porto AlegreR$ 3.300 (≈ US$ 650)55.755
8Praia GrandeR$ 3.300 (≈ US$ 650)16.442
9MaceióR$ 3.500 (≈ US$ 689)5.865
10Vila VelhaR$ 3.500 (≈ US$ 689)2.258
11CabedeloR$ 3.600 (≈ US$ 709)1.402
12SalvadorR$ 3.671 (≈ US$ 723)18.244
13CaraguatatubaR$ 3.700 (≈ US$ 729)3.034
14João PessoaR$ 3.700 (≈ US$ 729)7.108
15VitóriaR$ 3.900 (≈ US$ 768)1.278
16RecifeR$ 4.000 (≈ US$ 788)15.988
17Rio de JaneiroR$ 4.000 (≈ US$ 788)49.262
18UbatubaR$ 4.000 (≈ US$ 788)1.442
19Belo HorizonteR$ 4.290 (≈ US$ 845)33.509
20ItapemaR$ 4.450 (≈ US$ 876)1.225
21São PauloR$ 4.490 (≈ US$ 884)619.858
22NiteróiR$ 4.500 (≈ US$ 886)4.914
23FlorianópolisR$ 4.600 (≈ US$ 906)25.875
24Armação dos BúziosR$ 5.000 (≈ US$ 985)656
25ItajaíR$ 5.000 (≈ US$ 985)4.937
26SantosR$ 5.300 (≈ US$ 1.044)24.237
27GuarujáR$ 5.500 (≈ US$ 1.083)11.400
28Balneário CamboriúR$ 8.100 (≈ US$ 1.595)7.201
fora do rankingSão SebastiãoR$ 12.500 (≈ US$ 2.462)3.685
fora do rankingBertiogaR$ 13.400 (≈ US$ 2.639)6.051

O aluguel anunciado não é a conta do mês

Todo valor desta página é o aluguel sozinho, e no Brasil raramente é isso que sai da conta. O condomínio e o IPTU são cobrados à parte, e nem todo anúncio diz quanto são. A tabela abaixo mostra, linha por linha, o valor típico de cada cobrança, em quantos anúncios ela aparece e em quantos portais aquele campo existe. Quantos anúncios informam cada uma muda muito de uma linha para a outra, e é por isso que não dá para resumir numa frase só o que "está incluído" num anúncio brasileiro.

Do que é feita a conta do mês

O aluguel aparece nos 5 portais da amostra. Os itens abaixo, não — cada linha mostra em quantos portais o item é publicado.

ItemMedianaAnúnciosPortais
AluguelR$ 3.950 (≈ US$ 778)1.786.3485
CondomínioR$ 790 (≈ US$ 156)1.171.0894
IPTUR$ 220 (≈ US$ 43)918.8353
Condomínio + IPTU, cobrados juntosR$ 600 (≈ US$ 118)66.5011

Entre os anúncios que informam aluguel e condomínio, o condomínio responde por cerca de 16% da soma dos dois — metade dos anúncios fica abaixo dessa fatia e metade acima.

O peso do condomínio muda muito de cidade para cidade: no Rio de Janeiro o condomínio mediano é R$ 1.234 (≈ US$ 243); em Curitiba, R$ 586 (≈ US$ 115). E muda muito de prédio para prédio dentro da mesma cidade: prédio antigo com piscina, portaria e academia fica bem acima da mediana da sua cidade, prédio novo e sem funcionário fica bem abaixo. É por isso que dois anúncios com o mesmo aluguel podem virar duas contas mensais bem diferentes.

O número de quartos pesa mais do que o mapa

No país inteiro, o imóvel mediano de um quarto pede R$ 2.900 (≈ US$ 571) e o de dois quartos R$ 2.800 (≈ US$ 551) — praticamente empatados, com o de dois quartos ligeiramente mais barato. Não é erro de medição e não significa que o segundo quarto saia de graça: os dois tipos são anunciados em lugares diferentes. O estoque de um quarto se concentra nos bairros centrais e caros das grandes cidades, enquanto o de dois quartos está espalhado pelo país todo, cidades baratas incluídas. Compare dentro de uma mesma cidade e o segundo quarto volta a custar.

O salto que resiste a qualquer recorte é o terceiro quarto: o imóvel mediano com três ou mais pede R$ 7.100 (≈ US$ 1.398), cerca de duas vezes e meia a mediana de um quarto. Boa parte dessa faixa são casas, e casa traz quintal, garagem e manutenção que a linha do aluguel nunca mostra.

São Paulo não é um mercado, são dezessete

São Paulo concentra 619.858 anúncios deste retrato — mais do que todas as outras cidades da lista somadas — com mediana de R$ 4.490 (≈ US$ 884). Tratar esse valor como "o preço de São Paulo" desorienta quem procura: entre os bairros da tabela abaixo, quarenta minutos de metrô separam preços que não têm nada a ver um com o outro. A cidade inteira, aberta por número de quartos e por tipo de imóvel, está na página de preços de aluguel de São Paulo.

Aluguel mediano por bairro — São Paulo

#LugarMedianaAnúncios
1Vila MarianaR$ 4.000 (≈ US$ 788)11.190
2ConsolaçãoR$ 4.050 (≈ US$ 798)7.959
3Santa CecíliaR$ 4.500 (≈ US$ 886)4.305
4HigienópolisR$ 5.000 (≈ US$ 985)4.834
5MoemaR$ 5.000 (≈ US$ 985)4.317
6IndianópolisR$ 5.066 (≈ US$ 998)46.006
fora do rankingBrooklin VelhoR$ 5.200 (≈ US$ 1.024)7.149
7PerdizesR$ 5.350 (≈ US$ 1.054)10.410
8PinheirosR$ 5.500 (≈ US$ 1.083)29.390
9ParaísoR$ 5.580 (≈ US$ 1.099)10.658
10Jardim PaulistaR$ 5.996 (≈ US$ 1.181)12.118
11Campo BeloR$ 6.000 (≈ US$ 1.182)9.941
12Cerqueira CésarR$ 6.000 (≈ US$ 1.182)22.957
fora do rankingBrooklin NovoR$ 6.250 (≈ US$ 1.231)14.330
13Vila OlímpiaR$ 6.405 (≈ US$ 1.261)51.062
14Itaim BibiR$ 6.800 (≈ US$ 1.339)8.772
15Jardim EuropaR$ 17.500 (≈ US$ 3.447)3.327

Como isto foi medido

Os valores vêm de um retrato congelado dos anúncios de aluguel ativos nos principais portais do Brasil, feito em e nunca reconsultado depois, então todo número desta página e das páginas de cidade ligadas a ela vem do mesmo dia e das mesmas linhas. Com uma exceção, que declaramos aqui: a base de onde esse retrato saiu não parou nesse dia. Ela continua recebendo anúncios novos, e hoje guarda {{corpus:total:prose}} de anúncios de aluguel ativos no país.

Três escolhas de método mudam o sentido dos números e por isso ficam explícitas. Todo valor de destaque é o aluguel sozinho, nunca o aluguel somado ao condomínio e ao IPTU — só o aluguel puro é comparável entre todos os portais da amostra, já que alguns embutem o condomínio no total e outros não. Tudo o que publicamos é a mediana e a faixa em que cabe a metade do meio dos anúncios, deixando de fora os 25% mais baratos e os 25% mais caros; nunca a média, porque bastam alguns anúncios muito caros para puxar a média para cima e afastá-la do que o inquilino reconhece. E uma linha de tabela sustentada por menos de trinta anúncios não vira número: fica com a contagem de anúncios e um traço no lugar do valor, porque uma faixa dessas tirada de uma dúzia de anúncios é ruído disfarçado de medição.

O que os dados não conseguem separar é o aluguel de temporada. Nos portais medidos não existe um campo que marque o anúncio como aluguel por diária ou de temporada, então em algumas cidades litorâneas o "aluguel mensal" anunciado é, na verdade, preço de temporada. Esses lugares continuam medidos e publicados — a nota abaixo da tabela de cidades diz quais são e por que ficam fora do ranking.

Por onde continuar

Comece pela cidade para onde você vai mesmo: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis ou Fortaleza. Dentro de São Paulo, as comparações úteis estão nas páginas de bairro — Vila Mariana e Pinheiros formam um bom par para olhar lado a lado. Cada página usa o mesmo retrato de 2 de agosto, o mesmo critério de aluguel puro e a mesma regra de esconder o número quando há poucos anúncios.

Procurando aluguel no Brasil?

No RemRent, os anúncios dos principais portais do país ficam numa busca só, com filtros escritos na língua de quem procura casa — não na dos corretores.

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