Rio de Janeiro ou Florianópolis: onde o aluguel é mais caro

Maksym Panchenko

Comparando cidade com cidade, alugar no Rio de Janeiro sai mais barato do que em Florianópolis: um apartamento de 2 ou 3 quartos, com ar-condicionado, num prédio com academia e piscina, custa R$ 6.778 por mês no Rio e R$ 7.300 em Florianópolis. Comparando bairros do mesmo nível, o Rio é mais caro, e por uma boa margem: 2,3 vezes nos bairros caros, 1,6 vez nos intermediários. Só nos bairros mais acessíveis Florianópolis custa mais, 15% acima. Todos os valores aqui são a conta cheia do mês: aluguel somado ao condomínio e ao IPTU.

Os números vêm da base do RemRent, um buscador de aluguel que reúne anúncios dos grandes portais do Brasil. É um retrato dos anúncios ativos em , e o método está explicado no fim. Cada valor é uma mediana, isto é, o valor do meio da lista: metade dos anúncios pede menos, metade pede mais. Não usamos a média, porque uns poucos apartamentos muito caros a puxam para cima.

Que apartamento comparamos e por que usamos a conta cheia

O perfil é o mesmo nas duas cidades: apartamento de dois ou três quartos, com ar-condicionado, em prédio com academia e piscina. É o imóvel que mais procura quem chega a uma dessas cidades com família ou trabalha de casa. Nem kitnet, nem casa afastada do centro.

No Brasil, o valor do anúncio quase nunca é o que sai da conta no fim do mês. Dois itens obrigatórios se somam ao aluguel. O condomínio é a taxa mensal do prédio: paga a portaria, a limpeza, o elevador e justamente a piscina e a academia. O IPTU é o imposto municipal sobre o imóvel, que pelo contrato costuma ficar com o inquilino. Num prédio com piscina a taxa é bem mais alta, então comparar só o aluguel puro esconde parte da diferença. Na nossa amostra, a conta cheia fica cerca de R$ 1.800 acima do aluguel puro no Rio e cerca de R$ 1.300 em Florianópolis.

Apartamento de 2 ou 3 quartos com ar-condicionado, academia e piscina: preço cheio por mês, cidade inteira

Rio de JaneiroR$ 6.778

só o aluguel: R$ 5.000

FlorianópolisR$ 7.300

só o aluguel: R$ 6.000

Mediana de todos os anúncios assim em cada cidade; são 2.150 no Rio e 589 em Florianópolis. A parte escura é o aluguel; a clara, condomínio e IPTU por cima.

Na cidade inteira, o Rio é mais barato. Mas esse número diz pouco sobre quanto você vai pagar, e o motivo vem a seguir.

Por que a mediana da cidade inteira engana

O Rio de Janeiro é enorme, e “o Rio inteiro” inclui tanto Ipanema quanto os bairros mais distantes da Zona Oeste, onde o mesmo apartamento com piscina sai por cerca de R$ 1.500 por mês e para onde quem chega de fora raramente se muda. Esses bairros puxam a mediana para baixo. Em Florianópolis, a diferença de preço entre os bairros é cerca da metade, por isso o número geral fica mais perto do que você vai ver nos anúncios.

Abaixo, os mesmos apartamentos nos bairros que mais aparecem na busca de quem se muda.

O mesmo apartamento, bairro a bairro

Rio de JaneiroFlorianópolis

IpanemaR$ 26.300
LeblonR$ 15.672
Barra da TijucaR$ 12.200
BotafogoR$ 9.654
RecreioR$ 5.898
AgronômicaR$ 12.794
CampecheR$ 12.362
CentroR$ 7.879
ItacorubiR$ 5.947

Mediana do preço cheio (aluguel + condomínio + IPTU). Só bairros com pelo menos 30 apartamentos assim na base.

No Rio, Ipanema custa quase o triplo de Botafogo. Em Florianópolis, o bairro mais caro entre os medidos, a Agronômica, custa mais ou menos o dobro do Itacorubi. No Rio, quem define o preço é a rua, não a cidade. Por isso, daqui em diante comparamos bairros do mesmo nível, e não duas cidades: caros com caros, intermediários com intermediários, acessíveis com acessíveis.

Bairros caros: o Rio custa 2,3 vezes mais

Do lado do Rio entram Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico; do lado de Florianópolis, Agronômica, João Paulo e Cacupé, ou seja, a orla da Beira-Mar e a baía. Os grupos são nossos, montados pelo preço e pela forma como os moradores descrevem cada bairro.

Bairros caros: Ipanema, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico contra Agronômica, João Paulo e Cacupé

Rio de JaneiroFlorianópolis

2 ou 3 quartos, sem extras

Rio de JaneiroR$ 18.050
FlorianópolisR$ 8.472

+ ar-cond., academia e piscina

Rio de JaneiroR$ 22.450
FlorianópolisR$ 9.908

+ vista para a água

Rio de JaneiroR$ 26.976
FlorianópolisR$ 11.668

+ mobiliado

Rio de JaneiroR$ 25.205
FlorianópolisR$ 11.784

Mediana do preço cheio por mês. Cada número se apoia em pelo menos 35 anúncios.

Um apartamento de 2 ou 3 quartos, sem mais nada, custa R$ 18.050 nesses bairros do Rio e R$ 8.472 em Florianópolis. Com ar-condicionado, academia e piscina: R$ 22.450 contra R$ 9.908. Com vista para a água, R$ 26.976 contra R$ 11.668; mobiliado, R$ 25.205 contra R$ 11.784. A cada passo a diferença segue acima do dobro.

Bairros intermediários: o Rio custa 1,6 vez mais

Aqui, do lado do Rio, estão Copacabana, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras. Do lado de Florianópolis, o Centro, a Trindade, o Itacorubi, o Córrego Grande e a Santa Mônica, os bairros em volta do centro e da universidade.

Bairros intermediários: Copacabana, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras contra Centro, Trindade, Itacorubi e vizinhos

Rio de JaneiroFlorianópolis

2 ou 3 quartos, sem extras

Rio de JaneiroR$ 8.719
FlorianópolisR$ 5.478

+ ar-cond., academia e piscina

Rio de JaneiroR$ 10.202
FlorianópolisR$ 6.430

+ mobiliado

Rio de JaneiroR$ 10.765
FlorianópolisR$ 6.788

Mediana do preço cheio por mês. Cada número se apoia em pelo menos 37 anúncios.

O mesmo apartamento com ar-condicionado, academia e piscina: R$ 10.202 no Rio contra R$ 6.430 em Florianópolis. Mobiliado, R$ 10.765 contra R$ 6.788. A distância encolhe. Quanto mais longe de Ipanema, mais os preços das duas cidades se aproximam.

Bairros mais acessíveis: aqui Florianópolis custa 15% mais

Do lado do Rio, o Recreio, Jacarepaguá, a Taquara e os bairros vizinhos da Zona Oeste. Do lado de Florianópolis, a parte continental da cidade: Estreito, Coqueiros, Capoeiras e arredores.

Bairros mais acessíveis: Recreio, Jacarepaguá e Taquara contra a parte continental de Florianópolis

Rio de JaneiroFlorianópolis

2 ou 3 quartos, sem extras

Rio de JaneiroR$ 4.600
FlorianópolisR$ 5.112

+ ar-cond., academia e piscina

Rio de JaneiroR$ 5.356
FlorianópolisR$ 6.181

+ mobiliado

Rio de JaneiroR$ 5.760
FlorianópolisR$ 6.181

Mediana do preço cheio por mês. Cada número se apoia em pelo menos 59 anúncios. O mesmo R$ 6.181 em duas linhas de Florianópolis não é erro: as medianas coincidiram.

Com ar-condicionado, academia e piscina, o apartamento custa R$ 5.356 no Rio e R$ 6.181 em Florianópolis. Mobiliado, R$ 5.760 contra R$ 6.181. Aqui o Rio já é mais barato, e este é o único grupo em que a conclusão geral, “o Rio é mais barato”, se confirma.

O resumo é simples. “O Rio é mais caro” vale exatamente nos bairros para onde as pessoas em geral querem se mudar. Nos bairros mais afastados, o quadro se inverte: ali a cidade mais barata é o Rio.

O que ficou fora dos três grupos

A Barra da Tijuca, no Rio, é um caso à parte: um bairro grande de prédios novos, onde o apartamento com academia e piscina custa R$ 12.200 por mês, mais que em Botafogo e bem menos que no Leblon. Ela aparece no gráfico por bairros, mas fora dos três grupos.

Em Florianópolis, o caso à parte é o Campeche: bairro de praia no sul da ilha, com preço próximo ao da Agronômica. Ele ficou fora do grupo dos bairros caros porque esse grupo foi montado em volta da Beira-Mar e da baía, e o Campeche é outro mercado: quem se muda para lá vai pela praia. Ele aparece no gráfico por bairros.

As praias do norte de Florianópolis, Ingleses e Canasvieiras, ficaram fora de tudo. Parte dos anúncios de lá é aluguel de temporada, com preço de alta temporada, e na base ele não se distingue do mensal comum. Comparar esses preços com bairros urbanos do Rio seria injusto.

Como isso foi medido

A fonte são os anúncios ativos de aluguel de apartamento no Rio de Janeiro e em Florianópolis em 11 de setembro de 2026, reunidos dos grandes portais do país na nossa base. Deles, ficaram os de dois ou três quartos; ar-condicionado, academia e piscina foram identificados pela descrição do anúncio e pelas fotos. No grupo “com ar-condicionado, academia e piscina” entraram 2.150 anúncios no Rio e 589 em Florianópolis.

Cada número é a mediana do preço cheio do mês tal como o próprio portal informou: aluguel mais condomínio mais IPTU. Onde o portal não informou a taxa, o preço cheio é igual ao aluguel; esses anúncios são dois ou três por cento da amostra, e não os descartamos. Isso é diferente da nossa tabela geral de preços em 30 cidades e das páginas de cidade do site: lá a conta é o aluguel puro, porque só ele é comparável entre todos os portais de uma vez. Aqui as duas cidades são cobertas por portais que informam a taxa, e por isso pudemos calcular o preço cheio.

Nenhum número deste texto se apoia num grupo com menos de 30 anúncios; bairros com menos apartamentos assim não aparecem. A divisão em bairros caros, intermediários e acessíveis é nossa, feita pelo preço e pelo que os próprios moradores dizem de cada bairro; outra pessoa traçaria os limites de outro jeito, as proporções mudariam um pouco e quem sai mais caro continuaria o mesmo. O que os dados não enxergam: o estado do imóvel, o andar, a vista quando o anúncio não a menciona, e a sazonalidade, porque nos bairros de praia parte dos preços “mensais” é, na prática, preço de temporada.

Por onde continuar

Os mesmos filtros você pode aplicar por conta própria nas páginas do RemRent para o Rio de Janeiro e para Florianópolis: quartos, ar-condicionado, academia, piscina, mobília. Aí você vê anúncios de verdade, e não medianas. Como se forma a conta do mês em outras cidades do Brasil, e quanto condomínio e IPTU acrescentam ao valor do anúncio, está na tabela de preços de 30 cidades.

Procurando aluguel no Brasil?

No RemRent, os anúncios dos principais portais do país ficam numa busca só, com filtros escritos na língua de quem procura casa — não na dos corretores.

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